terça-feira, 8 de maio de 2018

EXPOSIÇÃO : Arquitectura de um Livro – Lisboa “cidade triste e alegre”.



Está patente ao público, no Pavilhão Preto do Museu da Cidade de Lisboa, no Campo Grande, uma exposição que é muito mais que uma simples exposição de fotografia.

O título, aliás, diz tudo, a “arquitectura de um livro”, sobre o mítico livro da Victor Palla e Costa Martins “Lisboa- Cidade Triste e Alegre”, editado em 1959.

Nos anos 50, dois arquitectos, Victor Palla (1922-2006) e Manuel Costa Martins (1922-1996) pensaram um livro de fotografia sobre Lisboa, e meteram-se no meio das ruas e bairros da capital para fotografar a vida dos seus habitantes, centrando-se principalmente em Alfama e no Bairro Alto.

Das cerca de 6 mil fotografias que tiraram seleccionaram cerca de duzentas, apresentadas primeiro numa exposição em 1958 e depois editadas em fascículos em 1959.

O livro que resultou dessa edição em fascículos foi elaborado com grande cuidado, pensando-se cada página e cada fotografia a apresentar como se de um projecto arquitectónico se tratasse.

As fotografias foram acompanhadas pela escolha de textos poéticos que se adequassem à imagem, selecionados de entre alguns dos mais importantes autores portugueses, como José Gomes Ferreira, David Mourão Ferreira ou Jorge de Sena, que, deliberadamente, não foram identificados na obra editada.

A exposição agora patente ao público, e que pode ser visitada até 16 de Setembro, mostra tudo o que está por detrás desse livro, que, na altura, foi um fiasco editorial, mas que é um dos livros mais importante para a história da fotografia portuguesa.

Aqui deixamos algumas imagens dessa exposição, apenas para aguçar o apetite de todos aqueles que gostam de fotografia e que aqui podem encontrar uma exposição que é também uma grande lição de como se faz fotografia.













































terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Censura na ARCO de Madrid

Na última semana da realização do famoso certame de artes plásticas da capital espanhol estalou a polémica quando a Galeria de Helga de Alvear cedeu à pressão da direcção daquele certame para retira um painel fotográfico que criticava as prisões politicas que se têm registado nos último tempos em Espanha.

Trata-se de uma série de 24 fotografias de Santiago Sierra, intitulada "Presos Políticos na Espanha Contemporânea" que expõe os rostos pixelizados de Oriel Junquera e Jardo Sánchez, e de outros presos politicos espanhois, não só os conhecidos da crise catalã, mas muitos outros sindicalistas, anarquistas, membros do movimento de protesto 15 de Março que têm conhecido a prisão, por razões políticas, desde que Rajoy aplicou a "Lei da Segurança Cidadã" para travar os protestos em massa contra as medidas de austeridade aplicadas pelo seu governo nos últimos anos.

A obra, comprada pelo galerista catalão Taxto Benet, ainda antes de ter estalado a polémica, tinha a sua exibição programada para o Museu de LLeida a partir de 7 de Março e até 22 de Abril, mas a dimensão que essa obra ganhou com aquele condenável acto de censura acabou por antecipara a sua exibição, desde esta segunda-feira em Madrid e em seguida em Valência, antes daquela programada exibição em LLeida.

É caso par dizer que o feitiço se virou contra o feiticeiro e aquele acto ignóbil acabou por chamara a tenção da imprensa internacional para a crescente falta de liberdade de expressão, e o aumento da censura cultural em Espanha que atingem vários sectores da criação cultural, num país democrático e membro da União Europeia.

Ver mais informações AQUI, AQUI , AQUI e AQUI.





sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Donald Thompson, um fotógrafo "apanhado" pela Revolução Russa

Em Janeiro de 1917 o capitão Donald C. Thompson (1885-1947), fotógrafo do Kansas, acompanhou a repórter canadiana Florence MacLeod Harper (1886 - ? ) para fazerem a reportagem da primeira guerra, na frente oriental, para o jornal “Leslin´s Weekly”.

Acabaram por ser apanhados pela Revolução Russa de Fevereiro de 1917, em Petrogrado, acontecimento que acompanharam até Julho desse ano, já não estando presentes na então capital russa quando se deu a revolução de Outubro. Thompson tinha fugido da capital russa, então já bastante perigosa para um estrangeiro, e encontrava-se na Sibéria, a caminho do Japão, tentando salvar os valiosos negativos da sua reportagem em Petrogrado.

A sua experiência e o seu trabalho fotográfico deu origem à publicação do foto-livro “Blood Stained Russia”, publicado em Nova Iorque em 1918 ( e que pode ser consultado AQUI integralmente, digitalizado pela Livraria do Congresso).

Florence Harper, por sua vez, publicaria as suas reportagens e a descrição da sua experiência, na companhia de Thompson, num livro com o título “Runaway Russia” editado também em Nova Iorque em 1918.

As duas obras e a aventura jornalística de ambos documenta grande parte da obra “Apanhados pela Revolução – Petrogrado 1917”, de Helen Rappaport, recentemente editada em Portugal pela Temas e Debates e pelo Círculo dos Leitores, um vibrante reportagem sobre a forma como muitos estrangeiros viveram a Revolução Russa.


Aqui deixamos algumas imagens de Thompson sobre esse período vibrante pré-revolução bolchevique, algumas das quais também podem ser vistas AQUI :