segunda-feira, 3 de junho de 2019

Stuart Franklin, o fotógrafo de Tiananmen.



Stuart Franklin foi o autor da icónica fotografia do “homem do Tanque” tirada em Tiananmen em 5 de Junho de 1989, no dia a seguir ao massacre que pôs cobro à manifestações pela liberdade que decorreu naquela praça nos dias anteriores.

Essa fotografia e a reportagem que fez sobre esses acontecimentos estiveram na origem da sua entrada como membro da Magnum, agência com a qual já colaborava, chegando mesmo a presidir à direcção desse colectivo de fotógrafos entre 2006 e 2009.

Stuart Franklin, nasceu em Londres em 16 de Junho de 1956, cidade onde cursou fotografia e se licenciou em geografia, duas disciplinas que ele soube combinar na sua actividade como fotógrafo.

Antes da Magnum e de se tornar famoso com a cobertura daqueles acontecimentos na China, Franklin já havia colaborado no The Sunday Times Magazine e no Sunday Telegraph Magazine, tendo trabalhado na agência Sygma em Paris entre 1980 e 1985.

Foi galardoado com vários prémios de fotografia e publicou vários livros, o primeiro dos quais, editado em 1990, exactamente intitulado “Tiananmen Square”.






Nos últimos anos tem colaborado activamente em acções fotográfica do Greenpeace e da National Geographic.

Mas é o seu trabalho sobre Tiananmen que aqui hoje recordamos, quando passa o 30º aniversário sobre esse ainda mal-esclarecido massacre.










quinta-feira, 16 de maio de 2019

"Viver entre o que foi deixado para trás" de Mário Cruz

Já restam poucos dias para se ver a exposição de fotografias de Mário Cruz sobre a vida no rio Pasig, o rio mais poluído do mundo, na capital filipina de Manila.

A exposição pode ser visitada até ao próximo dia 26 de Maio, no Palácio Anjos, em Algés (situado em frente à estação de comboios de Algés, numa rua paralela à marginal).

Mário Cruz tem uma fotografia sua, que faz parte da exposição de Algés, numa outra exposição a decorrer em Lisboa, na Escola Politécnica, a da World Press Photo, que encerra já no próximo fim-de-semana, já que foi premiado com o 3º prémio da categoria de Ambiente neste certame devido àquela reportagem.

A exposição de Algés intitula-se "Living Among What´s Left Behind" (Viver entre o que foi deixado para trás), uma impressionante reportagem sobre os milhares de habitantes, esquecidos por todos, que vivem no meio da autêntica lixeira em que se transformou aquele rio de Manila.

O realismo do trabalho de Mário Cruz não deixa ninguém indiferente e é um murro no estômago e na consciência de quem a visita.

Esta foto-reportagem de Mário Cruz merecia ser mostrada em todo o mundo, especialmente na sedes das grandes instituições económicas e financeiras internacionais, como prova da degradação para onde a  sociedade de consumo em que participamos nos está a conduzir, com principal impacto na qualidade de vida de milhões de cidadãos das áreas mais esquecidas e subdesenvolvidas do mundo.

As imagens de Mário Cruz dizem mais que muitos discursos sobre a dimensão da tragédia humana provocada pela desenfreada sociedade de consumo em que vivemos. 







quinta-feira, 27 de setembro de 2018

João Ribas – “15 minutos” de fama ou “Performance”?


(Fotografia de Run Lola, "Observador")

Uma das polémicas mais absurdas no mundo da arte em Portugal foi desencadeada pela demissão de João Ribas da direcção artística do Museu de Serralves.

Segundo o próprio (que se demitiu depois de, sem revelar na ocasião qualquer incómodo pessoal, ter inaugurado uma exposição que organizou),  a sua actividade foi  sujeita a um acto de censura por parte da administração daquele Museu.

João Ribas tem um vasto currículo internacional como curador, mas a sua “actuação”, neste caso, parece revelar, à medida que se vão conhecendo os contornos do “Caso”, uma grande falta de seriedade e profissionalismo.

João Ribas conseguiu desde já duas coisas: tornar-se mais conhecido do grande público do que o próprio artista “objecto” da exposição em causa, o fotógrafo norte-americano Robert Mapplethorpe.

Pela minha parte, fiquei devidamente esclarecido sobre o caso quando ouvi, na televisão, as afirmações de Michael Ward Stout, presidente da Fundação Mapplethorpe, proprietária do espólio do fotógrafo e quem cedeu a exposição,  que se mostrou espantado com as alegações de João Ribas, desmentindo, logo ali,com argumentos sólidos, as afirmações de Ribas “completamente inapropriadas e pouco profissionais”.

De facto, quem acha que uma exposição, por si proposta e organizada, está a ser sujeita a um acto de censura não se apresenta bem disposto, a guiar os jornalistas e convidados na sessão inaugural, demitindo-se ao segundo dia da exposição.

O resto é a palavra de João Ribas contra a palavra dos elementos da administração e, nesta, há pessoas pelas quais ponho a mão no lume pela sua seriedade e honestidade intelectual, para além de algumas delas até conhecerem na pele o que foi a verdadeira censura.

Na minha modesta opinião, João Ribas, profundo conhecedor da arte e do seu mundo, ou ensaiou os seus “15 minutos de fama” (sendo conhecido no mundo da arte, é um ilustre desconhecido do público, ele que é um defensor da proximidade entre a arte e o público…), ou, sendo um critico de arte reconhecido, mas , como muitos críticos, um artista falhado, tentou, deste modo, entrar pela porta grande da criatividade artística, ensaiando uma actuação conceptual e performativa, a forma mais comuns, na modernidade, de se revelarem muitos artistas falhados….

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A Arte popular "politicamente incorrecta" dos moliceiros de Aveiro

Os barcos moliceiros que navegam nos canais de Aveiro, hoje ao serviço dos passeios turísticos, caracterizam-se pelas decorações "naif" que se concentram, principalmente, na proa do barco.

Com temas religiosos ou evocando a vida tradicional da ria, hoje uma grande parte, pelo menos os barcos turísticos, exploram muito uma temática de estilo erótico e brejeiro, "politicamente incorrecta", como se pode ver nesta pequena recolha fotográfica que fizemos numa recente visita a Aveiro: